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2 de fevereiro de 2010

APATIA, UMA FACETA DA DEPRESSÃO

Segundo a WIKIPEDIA:

A apatia é a falta de emoção, motivação ou entusiasmo. É um termo psicológico para um estado de indiferença, no qual um indivíduo não responde aos estímulos da vida emocional, social ou física. A apatia clínica é considerada depressão no nível mais moderado e diagnosticado como transtorno de identidade dissociativo no nível extremo. O aspecto físico da apatia se associa ao desgaste físico, enfraquecimento dos músculos e a falta de energia chamada letargia, que tem muitas causas patológicas também.

Um dos motivos que me levou ao meu tratamento atual do que me foi diagnosticado como depressão foi justamente a apatia. Ando experimentando-a já faz um certo tempo, e o engraçado é que me sinto culpado por ela, o que piora as coisas. Me sinto culpado por esta apatia, que obviamente está ligada a depressão.

Ocorre-me uma total falta de capacidade de me interessar por qualquer coisa. QUALQUER COISA MESMO.

Estive de férias em janeiro passado e em muitos momentos me via sem vontade de fazer nada, nem mesmo coisas que antes me agradavam e me interessavam bastante, como jogar games por exemplo. Simplesmente não havia nada de interessante para fazer no meu ponto de vista, mas o estranho é que racionalmente eu olhava a minha volta e percebia um monte de coisas que eu poderia fazer. O problema é que nenhuma delas me interessava, nenhuma delas me despertava paixão, vontade ou pelo menos o sentimento de responsabilidade, que é o que vem me movendo desde então para fazer as coisas que são necessárias, como trabalhar por exemplo.

Em uma situação como esta, aonde já estamos fragilizados e com sentimento de culpa, parece que algumas pessoas gostam de piorar as coisas fazendo comentários desagradáveis fruto do desconhecimento e da insensibilidade nata da humanidade. Dizem ou insinuam que somos desinteressados de propósito, e julgam que isso é um defeito de caráter e não uma condição clínica. É mole?

Imagine não conseguir se interessar por nada e nem por ninguém, mesmo se esforçando. Se você nem consegue imaginar isso dê graças a Deus, porque é muito ruim viver dessa forma. Hoje vejo que esta condição explica muitas coisas em minha vida que antes eu não entendia e me julgava culpado por descaso ou desinteresse proposital. São elas:

  • Meu relacionamento com Deus
  • Escrever, desenhar e fazer sites
  • Ouvir música e ver animes
  • Sair com meus amigos e me relacionar
  • Passar mais tempo com minha família
  • Passear
  • Estudar e fazer cursos
  • Pegar trabalhos freelance

Em geral, são coisas que demandam tempo e dedicação que são, ao menos no meu ponto de vista, de execução opcional. Não consigo me manter focado em coisas por muito tempo porque logo perco o interesse e a concentração, involuntariamente, apaticamente. Isso é sintoma da depressão, é causada por ela.

Só lembrando, os principais sintomas da depressão são (os em negrito são os que eu apresento):
  • Humor persistentemente rebaixado, apresentando-se como tristeza, angústia ou sensação de vazio; ou
  • Diminuição do interesse e prazer em atividades que antes eram prazerosas

Outros sintomas de depressão também incluem:
  • Ansiedade
  • Afastamento de amigos ou pessoas
  • Cansaço e perda de energia
  • Falta de vontade de realizar uma determinada tarefa que progressivamente se alastra ou pode alastrar a muitas outras atividades.
  • Vontade de chorar ou chora às escondidas.
  • Tem maus resultados escolares, devido á incapacidade em se concentrar.
  • Vontade de ficar só. Afasta-se de tudo e todos.
  • Não querer ouvir barulhos ou querer música ou barulhos em altos berros (pois é uma forma de se alhear e afastar do que se passa à sua volta).
  • Sentimento de tristeza persistente
  • Problemas de auto-confiança e auto-estima
  • Sente-se triste e abatida sem conseguir encontrar algo que a anime ou que lhe consiga despertar interesse.
  • Dificuldade de concentração e de tomar decisões
  • Sentimentos de culpa, desesperança, desamparo, solidão, ansiedade ou inutilidade
  • Alterações no sono; Dificuldades em adormecer, acordar muito mais cedo do que o habitual, dormir em excesso ou pesadelos
  • Medo de executar determinada tarefa; ou medo do que possa acontecer se falhar. Vive obcecada com a sua incapacidade ou com o que possa acontecer a outrem se ela falhar.
  • Isolamento: evitar outras pessoas.
  • Perda de apetite com diminuição do peso ou compulsão alimentar
  • Pensamentos de suicídio e morte
  • Inquietação e irritabilidade
  • Auto-agressão
  • Mudanças na percepção do tempo
  • Acessos de choro
  • Possíveis mudanças comportamentais como agressão ou irritabilidade
  • Medo ou sensação de ser ou estar sendo abandonado (no meu caso medo de perder meu emprego)
  • Desleixa-se com o vestir ou com a sua apresentação. Isso deixou de lhe interessar.

9 comentários:

Olá,
Eu estive lendo o seu post a respeito de apatia e me identifiquei totalmente quanto aos sintomas.
Gostaria de saber qual é (ou foi) o tratamento que faz ou fez e se surtiu algum resultado positivo pois não sei mais o que fazer com isso que sinto. E assim, a minha vida vai correndo, o tempo passando...
Grata por responder-me.
ely.giba@gmail.com

Olá Ely.

Sei como se sente. É horrível, o mundo parece ter perdido o sentido, né? Mas não se desespere, há formas de diminuir esta sensação. O importante é ir a um profissional para fazer o diagnóstico correto. É depressão? É temporária? É so um descontentamento com algo passageiro? É algo que perdura por muito tempo? O profissional psiquiatra vai investigar estas coisas com você antes de lhe dar qualquer tratamento, se é que é seu caso.

Meu tratamento eu vou ter que retomar, porque meu psiquiatra achou por bem remover a medicação após 2 anos de uso initerrupto e ver como eu me comportava. Parei no fim de março e já estou para marcar uma consulta para voltar à medicação porque infelizmente tenho tido dias terríveis aonde o desejo de deixar de existir voltaram com toda força. O mundo parece me esmagar e qualquer coisa me deprime, por menor que seja, em uma super sensibilidade que só atrapalha.

O tratamento varia de pessoa para pessoa, o que eu fiz não necessariamente (e provavelmente) não serão adequados para você, pois cada depressão é diferente, afeta cada pessoa de uma forma. Neste aspecto te recomendo a leitura do livro "O demônio do meio-dia: Uma anatomia da depressão", de Andrew Solomon. Foi muito importante para mim, pois é, até onde sei, um dos melhores livros sobre o assunto.

Meu tratamento consiste em psicoterapia 1 vez por semana (acho que devia ser mais, mas isso é o que eu posso pagar) com psicóloga e meu psiquiatra começou me ministrando fluoxetina (prozac) 20mg/dia inicialmente. A fluoxetina me deixou muito bem e rapidamente, mas ela me tirava totalmente a libido e inibia o orgasmo. Para uma pessoa casada a pouco tempo isso foi terrível.

Meu psiquiatra então mudou minha medicação para o escitalopram (Lexapro) inicialmente com 10mg/dia, o que melhorou um pouco a questão sexual, mas a questão da depressão estava um pouco ruim ainda, então ele subiu para 15mg/dia e as coisas se estabilizaram.

Com relação a psicoterapia ela ajuda, mas hoje vejo que não é fundamental. Outro tipo de terapia que não a psicoterapia quem sabe seriam melhor para mim, mas acho que no geral meu problema é mais tratável com medicação apenas. Tenho pensado em interromper a psicoterapia porque não tenho sentido melhoras duradouras com ela, apenas alívios momentâneos. Não por culpa da psicoterapeuta, que é excelente, mas é que o método nem sempre funciona com todos porque cada um tem uma pesonalidade diferente, e diferentes necessidades.

Espero ter ajudado. Não tenha medo de procurar um psiquiatra se isso te aflige há muito tempo. Não deixe a coisa crescer muito, se não, ela pode ficar de um tamanho que será difícil lidar mais pra frente.

Força e que Deus lhe abençoe com a paz alegria que procura.

Estou em prantos, parece que estou lendo uma descrição detalhada da minha personalidade. Socorro!! Ninguém me entende!

Ticá, tenha fé que vai melhorar.

Passei por isso naquela época, hoje estou bem, mas deu trabalho. Basta ter perseverança e fazer o tratamento. Já estou sem nenhuma recaída séria há quase 2 anos (pequenas ocorrem de tempos em tempos mas duram apenas algumas horas ou dias e somem). Mas como disse, demorou e consumiu muitas horas de terapia e medicação antidepressiva.

Eu acho que a sociedade atual tem criado cada vez mais pessoas como nós. É como o câncer, cada vez mais comum infelizmente. O meio-ambiente em que vivemos, seja emocional, físico ou psicológico, está mais tóxico do que nunca.

Procure ajuda. Procure um bom psicólogo e se ele achar que é o caso, procure um bom psiquiatra. Faça isso. Foi o que me mais me ajudou depois de Jesus.

Gostei muito dessa matéria, bem interessante, a minha vida segue com esses sintomas, na ultima psicóloga que eu fui me informou que era apenas preguiça, e que eu precisava trabalhar pra esquecer isso... ;-; Tiro notas péssimas na escola, tenho um total descontrole dos meus sentimentos por gostar de alguém, não consigo durmir bem desde quando eu tinha... em média acho que uns 12 para 13 nos... tenho dias bons... e dias péssimos, sempre quando alguém começa a gostar de mim eu automaticamente me afasto por completo dessas pessoas, na escola eu sinto que consigo fazer tudo, mas é só enganação, tenho perda de memória, falta de concentração, não me alimento bem, prefiro ficar em casa, me irrito fácilmente com barulhos, ruídos... Aff só para fazer esse "texto" me desculpe, demorei muito xD pq eu me esqueço do que to falando, a palavra que to falando e me atrapalho todo. Outra coisa é que colocam a culpa pq eu fico muito tempo usando o note, e colocam a culpa dizendo que é preguiça... aff Tenho uma amiga que sempre está tentando me fazer ir ao médico, só não conseguiu ainda pq ela mora em outro estado e me falta coragem para sair de casa. Bom, adorei seu blogger, algo bem interessante até me animou um pouco aqui!! rsrs ^^

@italu, não é fácil enfrentar essa situação, sou solidário com você.

Eu escrevi esse post em 2010, e de lá até aqui já se passaram 4 anos. Algumas coisas persistem, mas aprendi a conviver e contornar elas pela misericórdia de Deus, que colocou no meu caminho amigos que me estimularam a rir da vida e dessas encanações, assim como uma terapeuta que me ajudou a ajuda bastante a me aceitar e a trabalhar os pontos que posso trabalhar - porque nem tudo podemos mudar, muitos aspectos do que somos são imutáveis e precisamos aprender a viver com eles, e aqueles que podemos mudar, mudamos ao custo de muito esforço.

Essa última psicóloga que você foi, brincadeira falar que você é preguiçosa assim de cara, heim? As vezes ouvimos algumas coisas desagradáveis das pessoas e ficamos chateados, mas temos que saber "ligar o filtro". Eu, as vezes, escuto coisas desagradáveis mas que após uma reflexão eu percebo serem bobagem e deixo pra lá. Ou não, as vezes são coisas ruins mas que refletem o que sou, e ai eu tenho que trabalhar isso em minha mente, meu comportamento, etc. Essa é a vida, essa é a dinâmica dos relacionamentos.

Recomendo que você não desista e continue a procurar um profissional que lhe ajude (mas que tenha tato e sensibilidade para falar das coisas), o que acho fundamental para uma melhora. Da mesma forma acho que você deveria ser mais calma com seus relacionamentos. Se afastar é uma tendência, mas causa sofrimento e as pessoas não entendem que fazemos isso por motivos internos variados (vergonha, medo de mostrar quem somos, etc).

Eu também faço isso. Minha psicóloga uma vez me disse que as pessoas acabam interpretando esse meu comportamento como uma mensagem de que eu não ligo para elas, e elas acabam se sentindo desestimuladas de se aproximar de mim por acharem que eu sou fresco ou fechado. Achei isso triste, e venho tentando mudar. É muito difícil, mas estou tentando.

Então não desista. Deixe que as pessoas se aproximem e tente ser simpática, mas nunca finja. Seja calma e deixe que a pessoa descubra quem você é e como você é. As vezes nos achamos desinteressantes ou repulsivos em algum aspecto, mas deixe que as pessoas julguem isso por elas mesmas. As outras pessoas podem gostar de nós mesmo que não entendamos como :D

Abraços, fique bem!

Olá Amigo, estou com quase todos os sintomas do teu post.
Quero saber como você está hoje em dia, e como você viveu sua vida durante o tratamento. Vc trabalhava? como conseguiu manter a vida profissional, e quais medicamentos tomou para te ajudar a sair dessa.
obrigado desde já.

Fernando: atualmente estou sem medicação há mais de um ano, mas é difícil. A depressão bem chata e inconveniente, não vai embora, sempre está rodeando e as vezes ataca. Alguns casos parece haver cura, mas outros... depende muito de como a doença afeta cada um, como a pessoa lida com ela, como ela consegue manter-se positiva, persistente... a depressão normalmente tira essas coisas da gente, ou seja, nos desarma para lutarmos contra ela. É quase que uma doença de ciclo fechado, que se retro-alimenta.

Consegui manter a vida profissional creio eu pela graça de Deus, que me deu uma esposa maravilhosa que sempre esteve ao meu lado, uma família que me apoiou e um emprego onde eu tinha um chefe que foi bastante compreensivo. Os medicamentos você pode ler neste blog, foram basicamente 3, todos com algum efeito colateral. Hoje, se me mantenho mais ou menos funcionando, foi graças a terapia. Foram 8 anos de muito trabalho interno e auto-conhecimento. Recomendo.

Obrigado por responder, espero sair dessa logo.Bom em saber que está sem a medicação. Boa sorte pra você e sua família.
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