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25 de março de 2004

A PAIXÃO DE CRISTO

Eu fui ver o filme na estréia, na sessão da meia noite de sexta-feira, aqui em Campinas, com um outro amigo meu, da Batista Central daqui de Campinas (o Marcio). Não podia deixar de deixar minha impressão sobre o filme, então ai vai, em formato de perguntas e respostas (apenas 10) o que eu achei do filme e minhas opiniões sobre seu potencial. Lembre-se que são minhas opiniões pessoais...

P1: O filme é fiel às escrituras?
R1: Até onde estudei a palavra de Deus, quase tudo condiz com a verdade sobre a paixão de Cristo. Existem alguns eventos que não são relatados na Bíblia, mas tratam-se de pequenas nuances para tornar o filme mais atraente como filme em si (para criar uma trama que ficasse melhor em um filme, ou seja, para dar um ar mais dramático e uma dinâmica narrativa mais adequada à mídia cinema). Mas tais coisas não prejudicam, influenciam ou contradizem a verdade do sacrifício de Jesus. Uma das passagens é até engraçada e provoca risos na platéia, parece que foi incluída na trama para quebrar a tensão e mostrar que Jesus era também um ser humano, tendo senso de humor.

P2: O filme é anti-semita?
R2: Todo crente em Jesus deve amar os judeus, pois são o povo escolhido por Deus assim como nós, que passamos a ser povo de Deus quando aceitamos à Jesus. Além dos judeus, devemos amar a qualquer povo e a qualquer pessoa por ser um dos mais importantes ensinamentos de Jesus, mas temos mais motivos para amar os judeus do que qualquer outro povo, afinal Jesus era judeu. O filme, no entanto, nos faz ficar com um pouco de raiva dos judeus sim. Não creio que tenha sido algo proposital do diretor e do roteirista, mas o envolvimento emocional que o espectador vivencia vendo Jesus sofrendo tanto (ao mesmo tempo em que os sacerdotes e fariseus armavam tudo aquilo para ele, manipulando o povo para ir contra Jesus) nos deixa com aquele sentimento maniqueísta de que todo filme tem que ter o mocinho e o bandido, e neste caso o mocinho é Jesus e os bandidos são os judeus, sendo que na verdade é Satanás o bandido. Me peguei pensando "desgraçados" quando os sacerdotes apareciam com aquele olhar raivoso e cuspiam na cara de Jesus, e quando o visitaram em sua cruz. Mas como disse, isso é pela emoção, pois pela lógica, compreende-se no final do filme que os sacerdotes perceberam a idiotice que fizeram quando o véu do templo é rasgado, mas não de todo (se não todos os judeus seriam cristãos nos dias atuais, o que infelizmente não é verdade). De fato, aquilo tinha que acontecer devido aos planos de Deus, Jesus mesmo disse isso várias vezes. Então, não se pode culpar o povo judeu pelo que aconteceu, seria como condenar todos os alemães atuais pelo nazismo... creio que o sentimento anti-semita tenha origem no fato do filme não explicar o que houve ANTES dos eventos que o filme mostra.

P3: O Filme é violento?
R3: Sim, mas os relatos bíblicos da crucificação já falavam desta violência. O que foi retratado no filme foi visceral, mas próximo da realidade brutal da tortura e morte de Jesus. Serve para termos uma noção do sofrimento físico que ele sofreu por nós, mas devemos nos lembrar que seu sofrimento espiritual foi infinitamente maior, afinal ele levou sobre si todos os nossos pecados (do mundo todo, em todos os tempos), e sofreu a coisa mais dolorosa do Universo, que é a separação de Deus.

P4: O que é aquele bebê-monstro no colo de Lúcifer?
R4: Não tenho muita certeza, mas creio que representasse para Satanás o que Jesus representava para Deus, ou seja, era seu filho, e portanto, era o anti-cristo destinado a combater Jesus no final dos tempos (e perder, como já está definido). Estas aparições do Diabo no decorrer da crucificação não são relatadas na Bíblia, mas é fácil imaginar que ele estava lá assistindo tudo, e que como no filme, se desesperou ao final da crucificação ao perceber que sua derrota já estava definida desde a fundação do mundo. Jesus venceu na cruz, nunca se esqueça disso. Sua ressurreição é a maior prova de sua vitória.

P5: O Filme é muito "católico"?
R5: Como disse antes, foi bem fiel às escrituras. Se Maria apareceu bastante no filme, não foi feita nenhuma sugestão sobre ela ser uma entidade mais santa do que qualquer outro crente em Jesus durante a história. Ela aparece bastante no filme sim, mas representando o que ela era de fato: uma mãe muito triste com o que acontecia com seu filho amado, que mesmo sabendo que ele era Deus e que tinha que passar por aquilo, sofria muito. Os apóstolos fazem aparições adequadas na história, se atendo ao que a Bíblia fala sobre o ocorrido, nem mais, nem menos, e não são retratados como seres perfeitos (pelo contrário, expõe seus defeitos) e sim como o que eram, seres humanos como todos nós. Só não entendi por que todos os apóstolos chamam Maria de "mãe"... seria este o único mote realmente católico do filme?

P6: O filme puxa a sardinha para Pilatos?
R6: O filme mostra que Pilatos enfrenta um dilema moral, mas provocado não tanto pela inocência gritante de Jesus, mas sim pelo temor de que enfrentaria a ira do César, já que uma crise política obviamente explodiria em rebeliões devido a aquele acontecimento. Ele se sente um pouco mal com o fato de ter que condenar um homem inocente, mesmo que "lavando suas mãos" e deixando o povo decidir, mas Jesus mesmo diz que seu pecado é menor do que os que lhe condenaram... ele não deixou de pecar assim mesmo, pois a verdade estava diante dele e ele se recusou a ser justo perante ela. Todos se sentiam tocados por Jesus, ele não foi exceção, mas de fato o filme o mostra como uma pessoa que busca a justiça, mas não a faz. Os únicos que permaneciam irredutíveis contra Jesus eram os sacerdotes, que estavam com seus corações endurecidos pela soberba, para que aquele ato, previsto em profecias feitas séculos antes se cumprisse.

P7: Que lições tiramos do filme?
R7: As mesmas que encontramos nesta passagem na Bíblia. Que Jesus morreu por nossos pecados (individualmente, pelos pecados de cada um de nós, os meus, os seus, o de seus parentes e amigos e de todas as outras pessoas do mundo, mesmo aquelas que não acreditam Nele). Mas que só somos salvos de fato se aceitarmos este sacrifício completamente, nos constrangendo tremendamente pelo amor do Pai, de dar seu único filho para expiação de nossos pecados. E esta aceitação envolve em crer e amar de fato à Jesus. Isto envolve ação. Aqueles que crêem e amam à Jesus e à Deus de fato procuram com todas as forças cumprir seus ensinamentos e preceitos, a aprender mais sobre Ele estudando a palavra de Deus, a ter uma vida de oração e a buscar a vontade de Deus em todas as áreas de sua vida. É o mínimo que podemos fazer por aquele que já fez tanto por nós. Você não procura agradar e deixar feliz a uma pessoa muito querida, até mesmo se anulando por ela? É o que devemos fazer para com Deus e Jesus. Perdermos nossas vidas para ganhá-las de fato, ganharmos a vida eterna, que passaremos ao lado de Cristo.

Percebemos, ainda, o que aquele homen que estava em uma das cruzes ao lado de Jesus, na hora derradeira, percebeu: que nós é que mereciamos aquela morte, e não Ele, que nunca pecou. No entando, também percebemos como aquele homem que a verdadeira salvação da vida reside justamente em Jesus morrendo por todos nós na cruz, percebemos que aquele fora o derradeiro sacrifício pela expiação de nossos pecados, feito pela morte de Deus filho, mesmo que nós não tenhamos feito por merecer (daí a graça do dom da salvação).

P8: O Filme é uma boa ferramenta de evangelização?
R8: Por si mesmo, sozinho, creio que não (não assisti ainda, mas pelo que sei, o filme JESUS ainda é mais completo neste sentido por contar toda a história de Jesus, do começo ao fim). Mas se acompanhado de um estudo sobre Jesus, e usado como ilustração para contar a passagem de seu sacrifício, é uma ferramenta muito poderosa, capaz de ajudar muitas pessoas a compreender o amor de Deus. Falo isso por que o filme não se preocupa em explicar o por que daquilo tudo estar acontecendo, nem o por que dos sacerdotes terem aquele ódio todo (o que leva muitas pessoas a ter aqueles sentimentos anti-semitas que falei antes, fica parecendo que eles são maus sem um motivo). Não conta a história de Jesus como um todo, e vendo o filme simplesmente, os que não conhecem a história de Cristo razoavelmente não compreendem o significado daquela morte tão terrível, fazendo o filme ser um pouco vazio dentro de si mesmo. É verdade que o filme tem passagens em que mostra-se Jesus pregando, falando do amor e dando alguns de seus ensinamentos mais importantes, mas são poucos. Penso que, usado como ilustração no meio de um estudo bíblico, o filme pode sim ser muito poderoso. Mas com um estudo contando o que houve antes, usando o filme para retratar a paixão e depois, em seguida, dando-se outro estudo contando o que houve DEPOIS da sua ressurreição (daria uma boa continuação do filme se filmassem A RESSUREIÇÃO DE CRISTO, que começaria logo após o final do filme atual), levaria-se muitas pessoas a compreender o significado completo de Jesus, levando muitos a aceitá-lo como senhor de suas vidas. Mas sempre lembrando-se que a conversão não é feita por homens ou filmes, mas sim pelo Espírito Santo de Deus.

P9: Afinal, é o melhor filme bíblico de todos os tempos?
R9: Se não é o melhor, é um dos mais impressionantes. Falou-se pouco, mas "Deixados para Trás" (que não era bíblico mas era evangélico) e até mesmo "O Príncipe do Egito" foram filmes muito bons também, e que fizeram um relativo sucesso.

P10: O Filme serve para proclamar a palavra de Deus pelo mundo?
R10: Arrisco em dizer que sim. O filme é tão forte que, no mínimo, as pessoas que o verem e não conhecerem à Jesus vão se sentir muito desafiadas a conhecer mais de sua história, e isso os levará mais cedo ou mais tarde à Bíblia e ao conhecimento da verdade completa de Jesus e do plano de Deus para a humanidade, que é nada mais nada menos do que a salvação e o bem de todos os que nele crerem.

4 comentários:

Na Cruz Jesus diz ao seu discípulo. filho és ai tua mãe. Mãe és ai teu filho.

Por isso todos a chamam de mãe, pois o próprio Jesus está dizendo que deixou uma mãe para todos nós.

Foi isso que entendi.

Daquele momento em diante o caminho para a cruz é muito doloroso. Mel Gibson fez um trabalho fabuloso com A Paixão de Cristo é um grande grande filme, sem hesitação, embora muito cruel e triste para o meu gosto. Este filme me lembra Ressurreição, uma adaptação interessante centrado na ressurreição de Cristo, do ponto de vista de um ateu. Adicionando o contexto romano essencial, então temos uma natureza sugestiva com uma gama infinita de decisões e reações que não diferem da nossa percepção emocional. Um roteiro decente por Kevin Reynolds, que também atua como diretor. Além disso, ressuscitado poderia servir como uma sequela de A Paixão de Cristo.

Oque significa aquele ser no colo do diabo?